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Terça-feira, Maio 26, 2009
Castelo de vidro
Sabe quando chegamos no fundo do posso? eu acho que eu cheguei lá e comecei a cavar. Não que a minha vida esteja tão ruim, que nada mais me resta fazer pra melhorar e mesmo que tivesse, aí sim eu estaria aliviado, pois saberia que a projeção do futuro seria só de melhorias. Ainda tenho família que me ama e me suporte e eu sei que tem muita gente por aí pior do que eu, além do mais, não quero passar por mais um jovem incompreendido com tendência a suicidas. Mas é que o momento que eu estou passando exige de mim 168,45% da minha concentração e eu sinto que não tenho mais força mental e física pra agüentar a maratona até o fim do ano. Ele, o capitalismo está finalmente conseguindo me detonar. Por mais que eu me canse e me esforce, dou um passo tão pequeno adiante na escada da vida que é como se eu quase não tivesse andado. Talvez esteja fazendo as escolhas erradas. Talvez seja só eu mesmo, sem escolhas, mas talvez, as escolhas que eu faço vão servir pra alguma coisa algum dia. Estou lendo um livro chamado o castelo de vidro. Jeannette Walls, conta a história de sua vida, como ela enfrentou os problemas de extrema pobreza que enfrentou quando criança e como ela e seus irmãos conseguiam se divertir e enxergar o lado bom das coisas apesar de toda miséria e mentiras do pai, e negligência da mãe. Pra mim o livro está sendo uma lição de vida, e aconselho a todos que leiam, afinal sou meio chato e crítico e odeio auto-biografias, mas.... Honestamente, pela fase difícil que eu atravesso, este livro está ajudando a fazer com que eu enfrente os meus problemas com o máximo otimismo possível... Segue trecho do livro que eu achei o mais bonito de todos....
Nunca acreditei em Papai Noel.
Nenhum de meus irmãos acreditava. Mamãe e papai se recusaram a nos deixar acreditar. Eles não tinham condições de comprar presentes caros e não queriam que nós pensássemos que não éramos tão bons como todas as outras crianças que, na manhã de Natal, encontravam todo tipo de brinquedos bacanas debaixo da árvore, que eram, supostamente, deixados lá pelo Papai Noel. Então, eles nos contaram que as outras crianças eram enganadas pelos pais, que os brinquedos que os adultos diziam serem feitos por duendes que usavam chapeuzinhos com guizos em um ateliê no pólo
Norte tinham, na verdade, etiquetas onde estava escrito "Made in Japan".
— Tentem não desprezar essas outras crianças — dizia mamãe.
— Não é culpa delas se elas sofreram uma lavagem cerebral pra acreditar nesses mitos bobos.
Comemorávamos o Natal, mas, geralmente, uma semana depois de 25 de dezembro, quando se encontravam laços de fita e papel de embrulho em perfeito estado que as pessoas tinham jogado fora, e árvores de Natal largadas ao longo dos acostamentos das estradas que ainda tinham a maior parte das folhas e, algumas, até enfeites prateados agarrados aos galhos. Mamãe e papai davam de presente um saquinho de bola de gude, ou uma boneca, ou um estilingue, que tinham encontrado na liquidação de Natal.
Naquele ano, papai perdeu o emprego na mina de gesso depois de brigar com um chefe, e, quando chegou o Natal, nós não tínhamos nem um centavo. Na véspera de Natal, papai nos levou para passear de noite no deserto, um de cada vez. Eu estava enrolada em um cobertor e, na minha vez, eu quis dividi-lo com o papai, mas ele disse "não, obrigado". O frio nunca o incomodava. Eu tinha feito cinco anos, e sentei do lado dele, e nós olhamos para cima, para o céu. Papai adorava falar sobre as estrelas. Ele explicava como elas orbitavam pelo céu noturno enquanto a Terra girava. Ele nos ensinou como identificar as constelações e navegar pela estrela Polar. Aquelas estrelas brilhantes, ele insistia sempre, eram uma das melhores coisas que existiam para gente como nós, que vivia na natureza. Os caras ricos da cidade, dizia, moravam em apartamentos chiques, mas o ar deles era tão poluído que eles nem conseguiam ver as estrelas. A gente teria que estar completamente maluco para querer trocar de lugar com eles.
— Escolhe a tua estrela favorita — disse ele naquela noite. Ele disse que eu podia ficar com ela para mim. Ele disse que era o meu presente de Natal.
— Você não pode me dar uma estrela! — falei. — Ninguém é dono de uma estrela.
— É isso aí — disse ele. — Nenhuma outra pessoa tem uma estrela. Basta você declarar que tem antes dos outros, que nem aquele carcamano do Cristóvão Colombo, que declarou que a América era da rainha Isabel. Declarar que uma estrela é tua tem a mesma lógica.
Pensei bem e cheguei à conclusão de que o papai estava certo.
Ele sempre descobria umas coisas assim.
Eu podia ter qualquer estrela que quisesse, disse, menos Betelgeuse e Rigel, porque a Lori e o Brian já tinham declarado que elas eram deles.
Levantei os olhos, olhei as estrelas e tentei decidir qual era a melhor de todas. Dava para ver centenas, talvez milhares ou, até, milhões, brilhando no céu claro do deserto. Quanto mais tempo você olhava, mais os olhos se acostumavam ao escuro, mais estrelas você enxergava, camada por camada tornando-se visível. Havia uma em particular, a oeste, sobre as montanhas, mas baixa no céu, que brilhava com mais força do que todas as outras.
— Quero aquela — falei.
Papai sorriu.
— Aquele é Vênus — disse ele. — Vênus é apenas um planeta bem chinfrim se comparado às estrelas de verdade. Ele parece maior e mais brilhante porque está muito mais perto do que as estrelas. O pobrezinho de Vênus nem produz sua própria luz. É iluminado, não luminoso, só brilha porque reflete a luz. — Ele me explicou que os planetas brilhavam porque a luz refletida era constante, e que as estrelas brilhavam porque a sua luz pulsava.
— Gosto dele mesmo assim — falei. Eu já admirava Vênus, mesmo antes daquele Natal. Dava para vê-lo já nas horas iniciais da noite, cintilando no horizonte, a oeste. E, se você levantasse cedo, ainda podia vê-lo de manhã, depois que todas as estrelas já tinham desaparecido.
— Ora bolas — disse papai. — É Natal. Você pode ter um planeta se quiser.
E ele me deu Vênus.
Naquela noite, durante o jantar, conversamos sobre o espaço sideral. Papai explicou o que eram anos-luz, buracos negros e quasares, e falou das qualidades especiais de Betelgeuse, Rigel e Vênus.
Betelgeuse era uma estrela vermelha, no ombro da constelação de Orion. Era uma das maiores estrelas que se podiam ver no céu, centenas de vezes maior do que o Sol. Ela tinha ardido com um brilho intenso durante milhões de anos, e logo se tornaria uma supernova e se apagaria. Fiquei triste porque a Lori tinha escolhido uma estrela toda ferrada, mas papai explicou que "logo" queria dizer centenas de milhares de anos, em se tratando de estrelas.
Rigel era uma estrela azul, menor que Betelgeuse, prosseguiu papai, mas ainda mais brilhante. Também ficava em Orion — estava no seu pé esquerdo, o que parecia apropriado, porque o Brian corria super rápido.
Vênus não tinha luas nem satélites, nem sequer um campo magnético, mas ele tinha uma atmosfera meio que parecida com a da Terra, só que era extremamente quente — uns 260ºC ou mais.
— Por isso, quando o Sol começar a se apagar e a Terra congelar, todo mundo daqui vai querer mudar para Vênus, para ficar no quentinho. E eles vão ter que pedir permissão para os seus descendentes primeiro — alegou papai.
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Filosofia de um blogueiro
Frente - Bizarre Love Triangle (porque eu simplesmente sou louco por essa música, e pasmem, essa banda é brasileira)
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Quinta-feira, Maio 21, 2009
"Não lute para dar para seus filhos um mundo melhor, lute para dar para o mundo filhos melhores."
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Quarta-feira, Maio 20, 2009
O meu professor de antropologia nos pediu para que víssemos este vídeo. achei muito bacana, por isso tô postando no meu blog.
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Terça-feira, Maio 19, 2009
Castelo de Areia
Em janeiro fui a Cabo Frio, uma cidade no estado do Rio de Janeiro para passar o Réveillon com a minha namorada e sua família, tomando um banho de mar, distraindo um pouco do trabalho, enfim, saindo um pouco da frente do computador pra variar. Lembro-me que um fato ocorrido na areia da Praia do Forte, para o qual eu não liguei de imediato, mas que depois me deixou pensando um bocado, pensando tanto que me revelou um modo diferente de ver a vida.
Eu estava sentado debaixo do nosso guarda-sol, pois o sol estava muito quente, tão quente que eu não tinha nem vontade de ficar no mar, e o calor foi me deixando um pouco mal-humorado. Minha namorada foi fazer uma caminhada com sua mãe e eu fiquei lá sentado meditando na minha irritação e na minha vontade de voltar pro hotel. No guarda-sol ao lado do nosso, havia um menino que aparentava uns quatro pra cinco anos de idade. Eu o fiquei observando durante uns trinta minutos a brincar com a areia. Aos poucos, vi que ele ia moldando um imponente castelinho de areia, com todo o cuidado pra não desmoronar. O menino fazia caretas de concentração a cada passo que o castelinho ia ficando mais alto. De vez em quando, parte do castelinho que não estava bem arquitetada caía, mas ele ainda sim não desistia, construía tudo de novo. Passada a construção, o menino tirou pra fora um estojinho com muitos bonequinhos de ação, e começou a brincar com eles no seu castelo, que agora parecia uma bruta fortaleza de areia. Ele ficou entretido com a brincadeira por uns 20 minutos, até que de repetente, alguém que jogava bola, deixou-a escapar e ela foi cair bem em cima do castelinho. O menino fechou a cara de vez, mas quando eu achei que ele fosse chorar, ele se colocou a construir o castelo novamente, a partir do que havia sobrado da estrutura. Quando vi a cena, fiquei muito intrigado com a perseverança do menino, e como eu estava perto dele, lhe perguntei: - por que você constrói o castelo, se daqui a pouco vão derrubar novamente? – O menino, me olhou com espanto, pois não sabia que estava sendo observado por mim. – Eu faço o meu castelinho pra eu poder brincar, se depois eles derrubarem, não tem problema, não vai ser por isso que eu vou deixar de brincar... – disse-me o menino.
Voltei para o hotel, e para minha surpresa, recebi uma ligação do trabalho, dizendo que precisavam de mim no dia seguinte. A viagem era longa, e como estava chovendo, o tempo de viagem aumentaria ainda mais, pois a estrada era traiçoeira e cheia de curvas, fazendo com que o motorista fosse mais cauteloso. A viagem foi lenta, e por sorte eu havia levado um livro, que eu levei cerca de 70% da viagem para ler. Quando acabei o livro, fiquei olhando a paisagem por fora da janela, observando a chuva. Não sei por quê me pus a pensar sobre a criança do castelo de areia; sobre a resposta que havia me dado.
...Eu faço o meu castelinho pra eu poder brincar, se depois eles derrubarem, não tem problema, não vai ser por isso que eu vou deixar de brincar... Não sei porque fiquei intrigado com o menino, pois ao refletir um pouco, percebi que a nossa vida é como a construção de um castelinho de areia na praia. Começamos, por não ter mais o que fazer, a moldá-la. Dedicamos todo o nosso tempo para fazer com que ela se torne cada vez melhor. Tentamos sempre sermos mais fortes, mais resistentes, mais sábios, mais cultos, e alguns até mais burros, dependendo de suas aspirações do futuro. Muitas vezes, quando achamos que estamos só progredindo no nosso castelinho de areia, sempre tem alguém que chuta a bola bem em cima. O que a maioria de nós faz, é ficarmos muito tristes, deixar o castelinho de lado e ir brincar de outra coisa... Mas alguns, começam de novo, e acabam por fazer um castelo de areia mais forte e mais sólido que o anterior. E realmente, o molequinho estava certo quando ele disse que se depois eles derrubarem, não tem problema, afinal, o que na vida dura pra sempre?? Tudo o que o homem constrói é um castelo de areia, fadado a tomar uma bolada a qualquer momento, mas se não arriscarmos, nunca veremos o nosso castelo de pé, e nunca brincaremos com os nossos soldadinhos.
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Adorei esse Blogger, achei muito interesasnte, a Flávia escreve muito engraçado e escreve muitas verdades e mentiras sobre nós homens.
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Segunda-feira, Maio 18, 2009
A sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma
O mundo é perfeito, um sistema bruto e imutável; e você, minha pequena, é só mais uma que o defenderá com unhas e dentes. Tiramos um tempo pra contemplar o luar, e eu te mostrava as estrelas. Você deitada ao meu lado diante daquele azul marinho, me disse o quanto se sentia insignificante, pois havia muito a ser descoberto em tão pouco tempo, e que nunca realmente saberíamos o que nos aguarda além o véu azul-estrelado. Tentei não me envolver no momento, pois queria continuar lúcido evitando me entorpecer com o doce aroma que as árvores exalavam em agradecimento ao carinho que o vento as fazia. Lutei por poucos minutos até que devagar fui me desligando. Nostalgia. Árduo périplo se recompor e caminhar.
Assento-me e a culpa invade, acho que ainda não me acostumei com tanta pureza; cresci em um mundo aonde lobos comem lobos, e pra não ser uma vítima, tive que fortalecer meu coração. Caminhamos lado a lado sem dizer nada. O silêncio não nos incomoda, nossa intimidade nos permite ficarmos calados, sem que fique uma situação desconfortante. Olhamos à frente e vemos aquela velha estrada de terra se dividir em duas mini-estradinhas. Quando me perguntas se deveríamos seguir por caminhos diferentes, pego sua mão e sigo pelo caminho de onde ao longe pude escutar um banjo. Este é o caminho que deveríamos seguir, diz minha pequena e eu concordo veemente... A luz da lua é um conforto aos olhos, como um segundo sol, mas muito mais agradável. Ela me pergunta inocente, porque o luar é azul, se a lua no céu é branca? Durante todo o percurso noturno, fico imaginando qual resposta dar à minha pequena. Entre dentes, começo a cantarolar um bolero dramático, assim, como quem não quer nada. De repente, minha pequena se vira e me abraça me olhando nos olhos e consegue enxergar no abismo de meu pensamento, a pergunta que me agonizava, por não saber qual resposta usar. Ela me olha e me lança um sorriso pacífico e imprudente, me dizendo ao pé do ouvido que não se importava que a cor da lua fosse branca, e que sua luz fosse azul, desde que ela continuasse lá no céu a nos guiar, viajantes, nessa pequena estradinha de terra. Neste momento percebi que Sofremos demasiado pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos (Shakespeare)... Peguei o meu violão e fiquei ali, tocando a nossa canção, feliz porque essa noite está tudo bem, não precisamos nos preocupar; o mundo está completo se nós dois estamos juntos para enfrentá-lo.
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Quarta-feira, Março 25, 2009
Bonny Portmore
A Música Celta sempre me acalma, mas me deixa um pouco triste, pois geralmente retrata um época que eu gostaria muito de ter vivido. Esta música fala sobre a centenária floresta de carvalhos irlandesa "Bonny Portmore, que seria como "bonita portmore". A história conta que havia um enorme castelo de pedra ao lado norte da floresta, o castelo de Portmore. Quando tentaram invadi-lo, para romperem suas muralhas, os soldados arrancavam do solo as grandes aárvores de carvalho, e as empilhavam ao lado do castelo, fazendo grandes fogueiras sobre a rocha, para amolecer a pedra e bem aos poucos, ir destruindo suas paredes sólidas. Quando o castelo foi invadido, já restava muito pouco da floresta original, mas muita cinza. Esta canção celta então, faz um pequeno tributo à grande floresta de carvalho de Bonny Portmore. eis embaixo, letra e tradução.
"O Bonny Portmore, I am sorry to see
Such a woeful destruction of your ornament tree
For it stood on your shore for many's the long day
Till the long boats from Antrim came to float it away.
O Bonny Portmore, you shine where you stand
And the more I think on you the more I think long
If I had you now as I had once before
All the Lords in Old England would not purchase Portmore.
All the birds in the forest they bitterly weep
Saying, "Where shall we shelter or where shall we sleep?"
For the Oak and the Ash, they are all cutten down
And the walls of Bonny Portmore are all down to the ground.
O Bonny Portmore, you shine where you stand
And the more I think on you the more I think long
If I had you now as I had once before
All the Lords of Old England would not purchase Portmore."
Embaixo, a tradução:
"Oh bela Portmore, você brilha ao se erguer
E quanto mais eu penso em ti, mais vai além de meu pensar
Se eu ainda a tivesse, como o foras no passado
Todos os Lords da velha Inglaterra não poderiam comprá-la: Portmore
Agora os pássaros da floresta choram amargamente dizendo:
"onde iremos nos abrigar, onde iremos dormir?
pois os carvalhos cortados e os freixos estão todos no chão
Os paredões da bela Portmore formam tombados
Oh bela Portmore
você brilha ao se erguer
e quanto mais eu penso em ti,
mais vai além de meu pensar
se eu ainda a tivesse, como foram no passado,
Nem todos os lords da velha Inglaterra não a teriam comprado, Portmore"
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Terça-feira, Março 24, 2009
Tem algo sobre a chuva que me deixa mais tranquilo
Tem algo sobre a chuva que me deixa mais tranquilo. Não sei se é paranóia minha, pode ser que seja mesmo, mas através da janela embaçada do metro, a chuva contrastada com o cinza da massa urbana, me passa uma sensação de conforto mesclado com felicidade.
O maior defeito do ser humano é ter uma vida tão curta, porém, dependendo do ponto de vista, uma vida curta como a nossa, de 70 a 80 anos, é longa o bastante para sermos chamados por todos de velhos, mas se pararmos para pensar por instantes, vemos que somos apenas crianças, em todos os sentidos, não importando a idade, pois há árvores que vivem milênios a fio, e morrem por causas extraordinárias à sua existência.
Quando digo defeito, é pelo fato de que viver pouco tempo faz com que se crie dentro de nós uma plena sensação de que tudo dura para sempre, pois nunca vivemos tempo o bastante para ver os resultados das causas maiores pelo que lutamos. Por isso, quando perdemos alguém de repente, nossas vidas se agitam como uma tempestade marinha, e nossos corações recebem feridas que levam décadas para cicatrizarem-se. Achamos que nossas mães vão estar ali pra sempre, para nos fazer a comida que mais nos agrada, e descobrimos que não é bem verdade. Pensamos que o tempo é infinito, mas nos esquecemos que o infinito não deve ser contado, portanto esquecemos que o tempo passa para nós, e que o mundo não gira assim tão devagar. E por esse desleixo causado pela monotonia dos fatos, tornamo-nos preguiçosos, inertes à nossa resumida existência, tentando sempre fazer com que melhoremos ao máximo nosso estilo de vida, e paramos de preocuparmo-nos com os problemas que nós mesmos causamos ao resto da matéria à nossa volta. Consumimos sem freios, jogamos lixo nos mares, destruímos a camada de ozônio, e todos esses problemas ecológicos que estamos cansados de ver na televisão, revistas e jornais, pois sabemos que vamos morrer em breve, e que a previsão para que os problemas comessem não serão nosso problema, e talvez, nem dos nossos filhos.
Mas nos enganamos quando pensamos que tudo dura pra sempre, e que o planeta terra está em uma má fase, mas que vai se recuperar sozinho. Na ótica de que a terra é um ser vivo, todos nascem para morrer, mas algumas mortes são causadas por negligência, e se formos pensar direito, estamos negligenciando o fato que a terra já começou a morrer a muito tempo, pois estamos matando-a aos poucos e parecemos não nos importar; não me surpreendo do fato de que só existe uma ser racional no planeta, pois eu acho que observando a fracassada experiência, o criador não se arriscaria a prover um segundo e instaurar o caos total, pois destruímos racionalmente aquilo que irracionalmente foi criado, então me pergunto se a mente racional realmente é tão boa, e se estamos realmente preparados para guiar nossos corpos com a mente, e não com o instinto. As vezes, tenho certeza de que não sou um ser humano, pois seres humanos não podem ter a visão de que eu tenho do nosso planeta, e continuar agindo do jeito que já fazem. Como um planeta pode ter tantas pessoas tristes, e tanta beleza ao mesmo tempo? Como as águas azuis-piscina do caribe não fazem com que nos sintamos um pouco mais solidários, e queiramos que o mundo todo compartilhe de nossa visão? Como os homens acham uma grande metrópole bonita e destroem as florestas antigas com uma incrível biodiversidade para criar gado ou algo similar? Seria eu, um extraterrestre que voltando de uma longa viagem, viu algo a mais do que aqueles cujos olhos já estão acostumados? Ás vezes me pergunto... juro que não escrevo com a intenção de dar uma lição de moral em governantes ou algo do tipo, mas é que eu acho que algumas pessoas compartilham o meu pesar, e também gostam da chuva, assim como eu. Devem ser ETs também.
Um discurso que realmente me desagrada, é quando os líderes de vocês, de suas pátrias, falam sobre progresso e desenvolvimento, mas principalmente progresso. Olhando no Dicionário, a palavra “progresso” nos remete aos seguintes significados:
progresso
sm (lat progressu)
• 1 Marcha ou movimento para diante.
• 2 Curso, seguimento de uma ação de eventos, do tempo etc.: Os divertimentos não prejudicavam o progresso dos seus estudos.
• 3 Adiantamento cultural gradativo da humanidade.
• 4 Melhoramento gradual das condições econômicas e culturais da humanidade, de uma nação ou comunidade: Incentivam o progresso dos países subdesenvolvidos.
• 5 Filos Marcha numa direção definida.
• 6 Filos Transformação gradual que vai do bom para o melhor.
• 7 Crescimento, aumento, desenvolvimento: O progresso da indústria.
• 8 Adiantamento, aperfeiçoamento ou melhoramento contínuos.
• 9 Vantagem obtida; bom êxito
Quando falamos em progresso, somo mesmo masoquistas, pois, se destruir as florestas para construir fábricas e exterminar espécies inteiras, quando poderíamos ajudar a as preservar é uma “transformação gradual que vai do bom para o melhor”, realmente estamos progredindo. Mas se formos considerar que progresso é uma “marcha numa direção definida”, como citado acima,. eu digo que é tudo uma grande mentira, e é nesse aspecto que fico muito triste, pois o ser humano nem sabe pra onde vai, e se você não tem uma direção certa pra ir, como você pode saber quando você estã chegando? E se você não sabe quando você está chegando, como pode saber se está progredindo ou não?
O fato é que apesar de todas as religiões e crenças, a humanidade como um todo realmente não sabe aonde vai para depois da morte, e muito menos de onde veio e principalmente porquê veio. Se realmente soubéssemos, não temeríamos tanto a morte.
Então, este papo de progresso pra mim é pura hipocrisia, e na minha leiga opinião, estamos é regredindo mesmo, literalmente andando pra trás.
Fazendo uma pequena retrospectiva histórica, Quando todos achavam as florestas medievais bonitas, essas foram derrubadas para dar lugar as pequenas vilas, que com o aumento da população, foram se solidificando e dando lugar aos feudos, que viam essas vilas simples lugares muito bonitos (provavelmente). Com o surgimento dos estados e a revolução industrial, as cidades se transformaram de forma que aqueles feudos e reinos com seus castelos e monastérios fossem substituídos por grandes metrópoles como Londres, que por sua vez ganhou high tech, asfaltos, ônibus de dois andares e muitas outras tecnologias, que fizeram com que quando nos voltamos a contemplar o passado, vemos uma Londres romântica, aonde os homens andavam elegantes com suas boinas, ternos, cartolas e bengalas; aonde Jack estripava prostitutas com precisão cirúrgica.
Quem nunca sonhou em reviver o passado? “Quem nunca usou a frase: eu era feliz e não sabia”? E ainda falam que estamos progredindo, que estamos em um “adiantamento, aperfeiçoamento ou melhoramento contínuo” e sobretudo, em um “adiantamento cultural gradativo da humanidade”. Ao meu ver isso se chama regresso e quanto mais eles regridem, mais eles tem a sensação de que andam pra frente.
Os governantes hoje já sabem que chegamos a um ponto que temos que repensar a nossa existência na terra, e pararmos de poluir os nossos rios e mares, nossos céus e nossas florestas, mas falar que temos que parar é muito fácil. O difícil mesmo é arrumar alternativas que nos façam parar de destruir o que não criamos, e ao mesmo tempo perpetuar a espécie sem danos. Enquanto vamos pensando nessa solução, vamos poluindo, continuamos matando, queimando e destruindo. Na minha opinião, tem gente demais no planeta, e se quisermos sobreviver coexistindo com as outras espécies, temos que fazer sacrifícios. Não estou, de forma alguma, falando em extermínio de pessoas, pois a idéia de matar até o mais sádico ser humano me desagrada; mas acho que deveríamos parar de reproduzirmos como uma praga e deixarmos as cidades, morar no campo, vivendo do que a terra pode nos fornecer. Só assim, daríamos uma chance para o planeta respirar aliviado da pressão humana, e começar a recuperar-se, adiando um pouco mais o nosso tempo, se é que merecemos tal ato.
O planeta morrerá em alguns milhões de anos, quando o sol estiver quente demais, e aí sim, a humanidade vai viver sem lar. (provavelmente vamos até achar a terra poluída do jeito que era um lugar maravilhoso quando olharmos para o vazio escuro do espaço).
Se me perguntarem por que eu não luto contra tudo isso, eu diria que é porque não adianta, não porque eu não tenho esperança de mudança, ou porque eu sou pessimista,. Mas é que o que o mundo me levou a acreditar, é que vivemos em um sistema capitalista inevitável. Cruel, mas fixo, sólido, inalterável. Como eu disse antes, só acontecimentos drásticos mudam a visão do homem, e enquanto não houver uma catástrofe mundial, o capitalismo desenfreado vai continuar existindo, e não importa o que façamos, ele não mudará, pois, lutar contra o capitalismo, é como lutar contra a gravidade; você pode até não aceita-la, mas isso não muda o fato de que ela está ali, e não importa o que você faça ela “vai” te puxar pra baixo, a não ser que você saia da terra e esse sistema vai comprando e jogando fora, comprando e jogando fora, fazendo com que o lixo vá poluindo nosso ar, matando nossas raríssimas florestas, e tudo que levou milhões de anos pra se construir. Toda essa sujeira que o homem capitalista faz me deixa muito triste, mas algo sobre a chuva me deixa mais tranqüilo, vai ver é porque quando chove, eu tenho a sensação de que a terra está chorando, e misericordiosa, ainda nos fornece água, que alimenta nossa lavoura e enche os nossos rios. Quando chove, parece uma tentativa desesperada do céu de lavar nossa sujeira, de lavar nossas almas, pois, em outro planeta cai água em estado líquido do céu? E as pessoas ainda amaldiçoam quando chove, xingam os céus quando a chuva destrói tudo o que elas construíram, mas eu me pergunto: quem veio primeiro? Elas ou a chuva? Se vivessem na natureza, não teriam inundações, e mesmo se tivessem, não se importariam de perder, porque o que a terra tira, a terra dá. Se vivêssemos todos entre as árvores, entre os animais, em harmonia com o planeta, celulares não seriam tão importantes. Mas tudo isso que eu digo não faz nenhum sentido, afinal, sou só um ET que gosta de chuva, e que realmente, realmente se importa com vocês.
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